Megatsunami em La Palma cientificamente impossível
A ideia de um “megatsunami” devastador vindo de La Palma (Cumbre Vieja) é considerada falsa pelos estudos científicos atuais. O cenário extremo de ondas gigantes a cruzar o Atlântico foi praticamente descartado, embora exista um risco real, mas muito mais modesto, de tsunamis regionais.
O mito do megatsunami vem de 2001, quando Steven Ward e Simon Day publicaram um estudo teórico a simular o colapso catastrófico de parte do vulcão Cumbre Vieja, na ilha canariana, com 150–500 km³ de rocha a escorregar para o mar, gerando ondas muito altas que atravessariam o oceano.Este cenário foi construído como “pior caso possível”, assumindo um colapso único, rápido e enorme, e ganhou fama em documentários e, mais recentemente, em séries de ficção como a da Netflix sobre La Palma.
Estudos posteriores mostram que os grandes deslizamentos em Canárias tendem a acontecer em várias fases menores, não num único bloco gigantesco, o que reduz muito a capacidade de gerar um megatsunami.
Modelos mais recentes indicam que, mesmo num colapso forte, as ondas que chegariam à costa leste dos Estados Unidos da América seriam da ordem de 1 a 2 metros, semelhantes a uma forte maré de tempestade, e não paredes de água de 20 a 25 metros.
O Involcan - Instituto Volcanológico de Canarias e outros organismos consideram cientificamente “impossível” o cenário de megatsunami global tal como popularizado nos media e que aqui documentamos nas publicações anteriores.
Como qualquer zona vulcânica oceânica, as ilhas espanholas têm um risco real de deslizamentos e tsunamis, mas de escala regional (Atlântico oriental e áreas próximas), não de destruição massiva em todo o Atlântico.
A frequência de colapsos gigantes desta ordem nas Canárias é extremamente baixa, estimada em cerca de uma vez a cada 100 mil anos ou mais, e as erupções recentes, incluindo a de 2021 em La Palma, não provocaram qualquer colapso estrutural desse tipo.

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